Flávio Moraes é um dos engajados nas escavações do sítio (Cortesia)

Do Diário de PE

O Furna dos Ossos, um sítio arqueológico em Vertentes, no Agreste de Pernambuco, abriga parte da pré-história através de ossos de indígenas que viviam naquela região em tempos passados. O local é palco de pesquisa através de escavações feitas em alguns períodos, e recentemente foi alvo de uma série de vandalismos e descaso. Agora, com a instalação de uma cerca protetora, assim como uma placa de sinalização nos moldes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), colocadas pela prefeitura da cidade, tenta retomar à condição de símbolo de preservação no estado.

O doutor em arqueologia e professor do curso de história da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), Flávio Moraes, de 42 anos, é um dos profissionais envolvidos no trabalho que busca revelar detalhes daquele povo. A existência do espaço, segundo ele, foi compartilhada por outros colegas de profissão da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). “É um sítio sob rocha onde começou a aparecer muito material ósseo humano. Tivemos conhecimento através de alguns colegas que são professores da UFPE”, disse de início.

Um desses professores foi Sandro Guimarães, que ensina a disciplina de antropologia. Por meio de fotografias, ele “apresentou” o sítio a Flávio, e foi a partir daí que uma ação começou a ser pensada para a preservação da área.

“Ele falou comigo em Alagoas, porque sabia que minha área de pesquisa é voltada para sítios funerários. Sandro me apresentou as fotos do sítio e eu fiquei muito angustiado. A partir daí, demos início a uma ação para viabilizar as atividades de escavação para fazer o salvamento do espaço, e também para conhecer mais a história das práticas mortuárias desses povos que viveram aqui em tempos pré-históricos”, rememorou Flávio.

O arqueólogo, estudioso em meio a temas que envolvem sítios funerários, apontou os achados como pertencentes a indígenas, e a estrutura do local, com a presença de várias rochas, como um ambiente comum para receber atividades de sepultamento.

“Sabemos que esse material pertence a populações indígenas que provavelmente viveram aqui antes da chegada dos europeus. Essas características do local onde os ossos se encontram, que é um abrigo sob rocha, é recorrente nas práticas indígenas de sepultamento em regiões onde se dispõe de grandes afloramentos rochosos, como aqui em Vertentes”, explicou.

Alguns dos ossos encontrados tinham resquícios de cor avermelhada. O que simboliza, na crença daquele povo, parte de um ritual que tem mais de um sepultamento. “Identificamos também ossos com pigmentos vermelhos, que caracterizam um ritual secundário de sepultamento. Os indivíduos eram sepultados e depois da decomposição das partes moles, tinham os seus ossos retirados para um outro ritual, onde se colocava pigmento vermelho para a realização de um novo sepultamento”, complementou.

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