
O prolongamento do período chuvoso no Sertão e Agreste gerou uma redução significativa do número de municípios em estágio de seca extrema em Pernambuco. De 72, em janeiro, caiu para 11, em fevereiro.
Mas o que o boletim atualizado do Monitor de Secas da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) traz de mais impactante é a comparação com o mesmo período do ano anterior.
Em fevereiro de 2025, o nível da seca se limitava apenas aos estágios de fraca (144) e moderada (74). Pernambuco não tinha registro de área com maior severidade.
Um ano depois, apesar das chuvas acima da média para o mês, a seca extrema passou a atingir 11 municípios e 88 estão sofrendo com a grave, os dois níveis mais elevados no território nacional.
Outros 29 estão classificados como seca fraca e 56, como moderada.
Segundo o mapeamento das regiões realizado pela ANA, um município pode ser atingido por mais de um nível da classificação.
Para a meteorologista da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), Edivânia Santos, a mudança no quadro não ocorreu de forma repentina.
“É o resultado de um processo gradual de agravamento das condições, ao longo de aproximadamente um ano”, destaca, lembrando que o estado já apresentava o problema, mas “em níveis menos intensos”.
“É um fenômeno de evolução lenta, gradual, diferentes de eventos extremos de chuva que são muito rápidos”, adiantou Edivânia.
“A seca está associada ao déficit hídrico acumulado, a períodos consecutivos em que a chuva fica abaixo do esperado. Essa chuva menor impacta progressivamente no solo, na vegetação, nos reservatórios, reduzindo a disponibilidade hídrica ao longo do tempo”.
A meteorologista da Apac acrescenta que as chuvas de fevereiro deste ano foram acima do esperado e contribuiu para uma melhora apenas temporária.
“E mesmo as precipitações que ocorrem no meio do ano não suficientes para recompor os reservatórios. São precipitações de 10, 20mm. Não são suficientes”, explica.
Ela reforça que, no segundo semestre, acontece uma redução natural das chuvas e a elevação da temperatura, “acelerando a perda de água do sistema”.


